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Paul Oakenfold começou sua carreira ainda na década de 1980, sendo considerado um dos DJs mais bem pagos do mundo. Em 2017, Oakenfold tornou-se o primeiro DJ a se apresentar no topo do Monte Evereste, a mais de 5.000 metros de altitude. O evento SoundTrek: The Himalayas, Ao mesmo tempo, esteve presente nos principais festivais de música eletrônica da época, tendo sido eleito, consecutivamente, em 1998 e 1999, o DJ número 1 do mundo pela revista DJ Mag, Confira entrevista exclusiva com Ícone da Musica Eletrônica e referencia mundial, dj e produtora Paul Oakenfold com Agitossp.
1 – Você é considerado um dos pioneiros em levar a música eletrônica a públicos ao redor do mundo. Olhando para trás, para a sua trajetória, qual foi o momento decisivo que transformou a sua carreira?
Paul Oakenfold: Nunca imaginei que, a partir do que começamos em Londres no final dos anos 80, eu acabaria viajando pelo mundo tantas vezes por causa da música. Acredito que a grande virada aconteceu quando fiz a abertura da turnê mundial em estádios do U2, no início dos anos 90; isso me levou a produzir e sair em turnê com a Madonna, trabalhar em filmes de Hollywood e jogos, além de me apresentar na cerimônia de abertura das Olimpíadas Especiais para uma audiência televisiva de 1 bilhão de pessoas.
2 – Seu período em Ibiza ajudou a influenciar gerações de DJs e produtores. Como essa experiência moldou sua visão da música eletrônica?
Paul Oakenfold: Tenho Ibiza guardada com muito carinho no meu coração. Ela exerceu uma grande influência sobre mim, tanto em termos de música quanto de cultura. Pacha, Ku e Amnesia foram os três clubes que moldaram a cultura e deixaram uma marca em mim.
3 – Ao longo das décadas, você acompanhou a evolução da música eletrônica, que passou de uma cultura underground a festivais de grande escala. O que mais mudou na essência dessa cena?
Paul Oakenfold: Hoje, isso se tornou um cenário global. A música dance é o gênero que mais cresce no momento, e alguns DJs tornaram-se verdadeiras estrelas pop. Você ouve música dance em filmes, jogos, na TV — em toda parte —, o que é maravilhoso para a nossa cultura. É muito bom ver que o Brasil conta com talentos incríveis surgindo na cena dance.
4 – Como produtor, qual é o segredo para criar faixas que continuam a emocionar o público muitos anos após o seu lançamento?
Paul Oakenfold: Ler a pista de dança e entender o seu papel como animador.
5 – Quando você começa a produzir uma nova faixa, o que vem primeiro: uma melodia, uma emoção,
uma história ou o desejo de criar algo completamente diferente?
Paul Oakenfold: Para mim, todas as faixas novas começam com ideias. Depois, desenvolvo o ritmo, o gancho, a estrutura e o restante da música.
6 – Com a inteligência artificial e as novas tecnologias transformando a produção musical, de que maneira você acha que essas ferramentas influenciarão a próxima geração de produtores?
Paul Oakenfold: Acredito que é muito importante abraçar a IA. Ela veio para ficar; portanto, utilize-a como uma ferramenta para auxiliar onde for necessário. Mas lembre-se: ser humano é a própria essência da arte; a humanidade está no cerne de toda emoção, e a emoção é o que impulsiona toda grande arte.

7 – Você já se apresentou em alguns dos maiores palcos e em grandes festivais ao redor do mundo. O que é preciso para que uma apresentação se torne inesquecível, tanto para o artista quanto para o público?
Paul Oakenfold: Alguns dos lugares onde me apresentei foram incríveis, desde a Grande Muralha da China até o acampamento-base do Monte Everest; fiz turnês com Madonna e U2 — inclusive, toquei no estádio do Maracanã como atração de abertura para a Madonna e me apresentei como DJ no Rock in Rio, o que foi fantástico. Para mim, o que realmente faz a diferença são o local e o público.
8 – O Brasil tem uma forte ligação com a música eletrônica e um público conhecido por sua energia. O que mais chama a sua atenção quando você se apresenta para os fãs brasileiros?
Paul Oakenfold: Adoro vir ao Brasil! Venho para cá há muitos anos. O público e a energia são maravilhosos. Estou ansioso para voltar.
9 – Na era dos festivais de grande porte e das produções cada vez mais espetaculares, como os DJs podem preservar sua identidade musical e manter uma conexão genuína com o público?
Paul Oakenfold: Acredito que os DJs deveriam se concentrar em seu ofício e no que estão fazendo. Eles encontrarão o público que ama o que eles fazem.
10 – Você ajudou a abrir caminho para muitos artistas que vieram depois de você. Que conselho você daria a um jovem DJ brasileiro que sonha em conquistar seu espaço no cenário internacional?
Paul Oakenfold: Eu aprenderia o seu ofício e me tornaria o melhor nele. Produza música. Pratique, pratique, pratique. Mantenha o foco.
11 – Se você pudesse voltar ao início da sua carreira e dar um conselho a si mesmo(a) mais jovem, o que diria?
Paul Oakenfold: Ouça. Observe. Aprenda sobre a indústria fonográfica. Há muitos tubarões nadando por aí.
12 – Por fim, que legado você gostaria de deixar na música eletrônica global e o que os fãs ainda podem esperar de Paul Oakenfold nos próximos anos?
Paul Oakenfold: Acredito que é importante retribuir. Por meio da minha gravadora, a Perfecto Records, contratamos talentos de todo o mundo. Por que não um artista brasileiro na próxima vez? Seria fantástico. No geral, o objetivo é ajudar a desenvolver a nossa cultura e ver muitos novos artistas alcançarem o sucesso.
https://pauloakenfold.com/
Entrevista: Sérgio Lima Junior



