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Lançar dois álbuns de estúdio no mesmo ano não é um feito corriqueiro – especialmente quando os trabalhos apresentam propostas distintas e refletem momentos diferentes de um mesmo processo criativo.
É o que Victor Ruiz faz em 2026: depois de lançar “VICTOR” em julho, o DJ e produtor brasileiro apresenta “No Return” nesta sexta-feira, 16 de outubro, pela VOLTA, sua própria gravadora.
O novo disco retoma o techno como eixo central, mas parte de uma transformação pessoal que mudou a maneira como ele enxerga a própria música e sua trajetória. Ouça aqui!
Se “VICTOR” foi um mergulho em influências que ultrapassam o techno e uma forma de lidar com uma crise artística, “No Return” representa o que veio depois dessa experiência.
O primeiro permitiu que Victor se libertasse de expectativas e explorasse outros territórios sonoros; o segundo nasce da confiança conquistada nesse processo, com a intenção de produzir a música eletrônica que ele gosta de tocar nas pistas.
Não é uma volta ao passado, mas a continuação de um caminho que já não precisa obedecer a uma única definição de sua identidade artística.
Um álbum que nasce das colaborações
“No Return” reúne dez faixas. A faixa-título, que abre o disco, é a única produzida exclusivamente por Victor Ruiz; as outras nove são colaborações. O detalhe, porém, não surgiu de um plano inicial para construir um álbum coletivo. Segundo o produtor, muitas das músicas já estavam prontas, e a ideia de reuni-las em um disco veio quando percebeu que boa parte daquele material havia sido criada com outros artistas.
“Eu fiz collab com gente famosa, tem outras com artistas newcomers, e por mais que seja bem focado no techno, esse novo álbum não é um techno clássico, mas também não chega perto do som de ‘VICTOR’”, resume.
A proposta acompanha uma característica que ganhou ainda mais espaço no trabalho de Ruiz nos últimos anos: aproximar-se de artistas cujo som nem sempre coincide diretamente com o seu.
Em vez de buscar colaborações que apenas reproduzam uma fórmula, ele prefere o intercâmbio de ideias, técnicas e referências.
“Eu sou muito parceiro da colaboração, gosto de incentivar os outros a colaborarem, porque todos sempre aprendem. Quando duas ou mais pessoas colaboram numa música, rola uma mágica. Não é uma adição, mas uma multiplicação. ‘No Return’ tem muito desse poder da colaboração”, continua.
As parcerias não são um detalhe ao redor de um trabalho essencialmente solo: são o próprio princípio organizador do disco. Entre os convidados estão Alex Stein, Tao Andra, Kaufmann, Malive, Wehbba, Sama’ Abdulhadi, Oscar L, The Enveloper e Melon Bush – parcerias desenvolvidas de forma orgânica, e não uma lista montada apenas para reunir nomes de peso.
“No Return”: depois da virada, não há volta
O título dá unidade conceitual ao álbum e estabelece uma ligação direta com “VICTOR”. No primeiro disco, o produtor transformou uma crise em um processo de autodescoberta: depois de questionar o rumo de sua carreira e se sentir deslocado diante das mudanças de preferência no techno, voltou ao estúdio movido pela necessidade de criar, sem se limitar às expectativas do mercado.
O trabalho acabou abrindo espaço para sonoridades que não costumavam ocupar o centro de sua produção.
“No Return” parte do outro lado dessa experiência. Ao explorar caminhos diferentes, Victor Ruiz encontrou uma liberdade que o leva de volta ao techno. A expressão “não há retorno” não significa abandonar o que veio antes, mas reconhecer que uma transformação verdadeira altera a maneira como se olha para o mundo.
É por isso que os dois álbuns de 2026 não devem ser entendidos como trabalhos opostos. “VICTOR” não representa um afastamento definitivo do techno, assim como “No Return” não é uma tentativa de apagar a experiência anterior.
O primeiro abriu possibilidades; o segundo reafirma o lugar do techno na identidade do DJ brasileiro, sem que isso implique renunciar à liberdade que ele acabou de conquistar.
Do Top 1 do Beatport ao álbum completo
A chegada de “No Return” foi antecedida por três singles que anteciparam diferentes aspectos do projeto. O primeiro foi “Don’t Mess With Us”, lançado em julho em colaboração com Kaufmann pela VOLTA.
A faixa chegou ao Top 1 do Beatport na categoria Techno (Peak-Time / Driving) e estabeleceu uma conexão imediata entre o novo ciclo de Victor e o techno pelo qual ele é reconhecido.
Em 1º de outubro, veio “Master of Reality”, parceria com Alex Stein que abriu oficialmente a campanha de divulgação de “No Return”.
Já no último dia 08, Victor lançou “Resist”, com Sama’ Abdulhadi, exclusivamente no Spotify. A faixa traz um poema em árabe de um autor libanês, recitado pelo pai da produtora palestina, e incorpora influências musicais do Oriente Médio, incluindo violino e outros instrumentos árabes gravados por músicos próximos a Sama’.
O fio condutor da obra não é uma sonoridade idêntica em todas as produções, mas o encontro entre a linguagem de Victor e as contribuições de cada parceiro.
Mais sobre Victor Ruiz
Enraizado no techno, mas expandindo sua sonoridade de forma fluida por todo o espectro da música eletrônica, Victor Ruiz é um artista que rompe fronteiras. Nascido no Brasil e atualmente baseado em Portugal, mantém presença constante na cena global desde 2012 e é amplamente reconhecido por suas performances hipnotizantes como DJ.
Sua trajetória internacional passa por clubes na Alemanha, Reino Unido e Japão, além de palcos nos Estados Unidos, Brasil e Austrália, tendo se apresentado em festivais como EDC Las Vegas, Tomorrowland, Awakenings, Time Warp, Lollapalooza, Boom Festival e Fusion Festival.
No estúdio, demonstra a mesma consistência, lançando uma sequência de produções eletrônicas de alto nível que refletem sua assinatura marcada pela musicalidade e energia. Conhecido por suas produções e pelo seu som característico, acumula lançamentos por selos como Drumcode, Arcane, mau5trap, Armada Music, Insomniac e Global Underground. Também lidera a VOLTA, seu próprio selo e plataforma para artistas alinhados à sua visão, que esteve entre as dez labels de techno mais vendidas no último ano.
Grande defensor do poder das colaborações, já trabalhou com alguns dos nomes mais relevantes e interessantes da música eletrônica, como Alok, Boris Brejcha, Reinier Zonneveld, SIDEPIECE, Alex Stein, Freedom Fighters e Perry Farrell, do Jane’s Addiction. Também assinou remixes para artistas como deadmau5, Astrix, Stephan Bodzin, Oliver Huntemann, Liquid Soul e o próprio Boris Brejcha, entre outros.
Com raízes profundas na cultura rave, sua música busca mover as pessoas física e emocionalmente. Victor Ruiz não é apenas techno. Ele é um gênero próprio.



