RESENHA – PARASITA

Última atualização: 19:32

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Um filme Sul-Coreano, baseado no abismo social do ser humano, uma fábula que trata com clareza, as camadas sociais, de forma quase impossíveis de serem colocadas no mesmo plano, é uma filmografia totalmente diferente daquilo que o espectador brasileiro está acostumado a ver no cinema, é diferenciado, com outro tipo de linguagem, retratando uma familia que vive á margem da miséria, numa casa abaixo do nivel da rua, num submundo degradante e desumano, e que numa oportunidade, acaba conhecendo e se infiltrando no outro lado da sociedade, o de uma familia rica e poderosa, onde em meio a uma proposta de emprego oferecida ao filho, a familia toda acaba por trabalhar na casa, tudo baseado em mentiras e falsificações, é por aí que a trama se desenrola.

Na primeira metade, o filme parece ser uma grande sátira que divide os dois mundos sociais, mas não mostra ninguem como grandes vilões, mesmo que pareça estar estampado que a familia de golpistas, é a maçã podre da caixa, tudo com um tom engraçado e abusado, mas é da metade em diante que o filme tem uma grande reviravolta, e mostra a que veio, se o abismo social mostrado até aqui, ja era gritante, passou longe de ser tão grande assim, diante do terceiro núcleo que é mostrado a seguir, (não há como comentar, sem dar spoiler), por conta disso, você precisa assistir pra entender.

O longa, então, passa a ser uma trama assustadora, sobre como pessoas vivem de forma deplorável, e questionam, como se aguenta viver assim, sem ver que tudo é um reflexo de si mesmo, e não é metafórico, é tudo extremamente real, existe de fato, o que causa ainda mais choque ao espectador, claro que, quem não está acostumado com filmes estrangeiros, não estará preparado para esse tipo de filme, portanto, é um filme para bem poucos.

O realismo de PARASITA é de fato sufocante, chocaria paises, onde as diferenças sociais são igualmente explícitas, um exemplo, é o Brasil, onde sua estrutura social e meritocracia é uma piada mundial, em que os mais ricos, dependem da mão de obra dos mais pobres, e o filme retrata isso, em como eles reagiriam a um evento que colocasse todos em risco na mesma proporção, e PARASITA responde de maneira forte, o que aconteceria se os dois lados se confrontacem, o diretor joga na cara a seguinte pergunta, quem teria coragem de olhar e se colocar no lugar do outro?

O terço final não surpreende, a narrativa se desloca para a tragédia, o roteiro leva toda a construção para a violência, que é o óbvio desfecho, diante do choque entre a pobreza extrema e a riqueza absoluta, de patrão e empregados, como uma bomba-relógio, o filme vai acentuando as diferenças e as injustiças sociais até vê-las explodirem, e claro, tudo acaba se tornando violento e sanguinário, representando a luta das classes, que é sempre assim, e que tem seu final, apesar de imaginável pelo espectador, triste e chocante.

É um filme um tanto quanto psicodélico, perturba pelo assunto e a forma realista de como é tratado, totalmente lado B, não existem os recursos estrondosos de Hollywood, mas sua simplicidade, o coloca num ótimo lugar, diferente e inteligente, repito, para bem poucos.

Filme visto no 72º Festival Internacional de Cinema de Cannes, em maio de 2019.

Borba Martini – Critico de Cinema e Teatro


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