RESENHA – MORTO NÃO FALA

Última atualização: 20:04

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Diferente de um entretenimento nacional, de filmes de escapismo, sem enredo e apenas pra causar sustos no espectador, sem qualquer relevância, MORTO NÃO FALA, retrata um filme do dia a dia da periferia, dentro de fora do IML, a vida nua e crua, como ela é, com um roteiro rico e recheado de apelo psicológico pesado, desde o mundo do crime, à vida social de um casal em pé de guerra, tudo contado de uma extremamente inusitada, uma fábula, onde um profissional da necropsia, conversa com os mortos, e acredite, muito bem bolada.

Com roteiro rico em dialogos interessantíssimos que amarram todo o filme numa ótima historia, Dennilson Ramalho e Claudia Jouvin, baseados nos contos de terror do jornalista Marco de Castro, levam o ator Daniel de Oliveira, a uma ótima e dramática atuação com o personagem Stênio, uma espécie de Anúbis que pesa as atitudes dos mortos antes de irem pro Inferno, uma ótima sacada, mas uma regra é violada, e é aí q a trama se desenrola da melhor forma.

O filme gira totalmente em cima do sobrenatural, cheio de jump scares e uma trilha sonora na medida, digno de filme hollywoodiano, só não na parte de efeitos gráficos, nos quais ainda não chegamos lá, mas que não desabonam em nada essa obra nacional e muito bem produzida, pelo contrário, só nos mostra cada dia mais, que o Brasil está no caminho certo e aprendendo fazer bons filmes de terror, com cenas gore na medida, e com cenas em grande maioria, gravadas internamente, o que dá todo ar de um filme claustrofóbico.

É um filme underground, que mostra os medos sociais da violência urbana, discursos políticos e coberturas policiais de telejornais sensacionalistas, tudo mostrando as realidades concretas das periferias brasileira, morte de traficantes, Feminicídio, crimes passionais, religião, problemas psicológicos envolvendo pais e filhos, sociedade perdida e agressiva, profissionais que lidam com seu trabalho, como se fosse só uma forma mecânica de ganhar dinheiro, abuso de drogas, a rua e a vida perversa, como ele é.

É um bom filme nacional, que brinca entre o realismo e a fantasia, de uma forma homogênea e simples, mas que manda um recado direto e objetivo, e que também tem seus momentos de fraqueza, como cenas rodadas no escuro, e seus pontos altos, como os pesados diálogos entre vivo e morto, é eficiente em criar situações de terror genuíno e sem firula, porém com um final inconsistente, aberto, que deixa margem para uma possível continuação.

Vale a pena conferir nas telonas, e tomar alguns bons sustos.

Borba Martini – Critico de Cinema & Teatro


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