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David Guetta responde tudo sobre o mundo dos DJs

"Nunca usei sets pré-gravados"

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David Guetta revela segredos do mundo dos DJs: drops, sets ao vivo e como ler o público em clubes e festivais.

O que está escondido atrás das cabines dos DJs mais famosos do mundo? David Guetta, a referência absoluta da música eletrônica, respondeu a dezenas de perguntas de fãs e DJs amadores em uma entrevista informal , divertida e cheia de conselhos. Da arte à queda, à polêmica dos sets pré-gravados. David Guetta fala sem rodeios sobre como será o mundo dos DJs em 2025.

Qual é o segredo para uma boa queda?

“Música é contraste. Se você quer que algo soe grande, tem que soar pequeno primeiro.

Guetta explica que a emoção do público é construída brincando com a tensão: reduzindo o baixo, o bumbo e até o aparelho de som antes do momento-chave. “Se eu tirar o bumbo e as baixas frequências, você cria tensão. Quando eu boto de volta, as pessoas gritam. É simples assim“, diz ele com uma risada.

Este princípio se aplica até mesmo nas mixagens básicas. Segundo o artista, basta usar um filtro para atenuar os graves e devolvê-lo no momento certo para causar uma explosão de energia na faixa.

Grandes DJs usam sets pré-gravados?

“Eu nunca toquei um set pré-gravado. Eu acho ridículo pensar isso.”

O francês é franco sobre esta questão. Para ele, com a tecnologia de hoje, misturar o tempo não é mais um desafio: “Posso ensinar uma criança de dez anos a acertar uma batida em duas horas“.

Isso não significa que seja tudo improvisação. Para festivais como Ultra ou Tomorrowland, Guetta passa semanas criando um cenário perfeito, embora deixe espaço para se adaptar. “Eu faço um esqueleto. Se eu vejo que as pessoas reagem melhor a uma música underground, eu coloco. Se não funcionar, volto aos hits”, explica ele. Para Guetta, a verdadeira essência do mundo DJ é se adaptar à pista de dança em tempo real.

Por que os DJs tocam tanto os botões?

“Eu sou honesto com você… Muito disso é puro show.”

O produtor admite que os movimentos exagerados na cabine são mais um espetáculo do que uma necessidade técnica. Em clubes bem equipados, diz ele, os sistemas de som são otimizados por engenheiros e você não precisa girar os controles sem parar.

Como você lê um público que não está respondendo?

“Você tem que se atentar as coisas até encontrar o que funciona. Quando você ganha, você pode levá-los para onde quiser.”

Mesmo DJs do calibre de David Guetta enfrentam noites difíceis. Seu conselho é simples: mude seu estilo até encontrar aquele que ilumina a pista. “Se eu toco uma música techno e ninguém reage, tento tech house. Quando algo funciona, eu pego da minha playlist as melhores músicas desse estilo e continuo“, explica.

Esta é uma das razões pelas quais ele não acredita em sets pré-gravados: cada público é diferente e a única maneira de mantê-lo vivo é reagir em tempo real.

Ser DJ em um clube é o mesmo que tocar em um festival?

“Em um festival, as pessoas querem seus maiores sucessos. Eles não vêm para ouvir esquisitices underground.

O DJ lembra que começou como residente em clubes, onde podia tocar por oito horas seguidas e experimentar sem medo. Em um festival, o foco muda: “É como um show de rock. Se você paga para ver os Rolling Stones, você quer ‘Satisfaction'”. No Ultra ou no Tomorrowland, as pessoas vêm ouvir meus sucessos.”

Além disso, quanto maior o público, maior a demanda de energia“Mover 100.000 pessoas não é o mesmo que mover 200”.

O que torna um bom DJ diferente?

“A combinação de batidas é fácil. O que faz você se destacar é misturar o mesmo tom.”

Guetta insiste que misturar ritmos com tempo é apenas o nível básico. A verdadeira qualidade é perceptível quando um DJ mistura músicas na mesma tonalidade musical, algo que faz tudo soar harmonioso e natural. “Se eu ouço alguém acertar os tons, penso: esse cara sabe o que está fazendo“, admite.

Por meio dessas respostas, David Guetta deixa claro que, embora a tecnologia tenha simplificado o trabalho técnico, a arte de um bom DJ ainda está na adaptação, musicalidade e conexão com o público. Não basta apertar botões: é preciso entender a faixa, criar tensão e oferecer uma experiência única em cada apresentação.

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