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Quando se fala em sushi, é comum que a atenção se volte para o peixe, os cortes ou a apresentação. No entanto, para quem domina a culinária japonesa, o ingrediente que realmente sustenta a qualidade da receita é o arroz. Sua textura, capacidade de absorver o tempero e o nível de aderência entre os grãos determinam desde a montagem até a experiência na hora de comer.
Segundo José Araújo, chef que assina o menu do Sushi Garden, a ideia de que qualquer arroz pode ser utilizado no preparo do sushi é um dos equívocos mais frequentes entre quem tenta reproduzir a receita em casa.
“O arroz para sushi tem características muito específicas. O grão é curto ou médio, possui maior concentração de amido e, depois de cozido, fica firme e levemente pegajoso, sem virar uma massa. É justamente esse equilíbrio que permite moldar sushis, niguiris e temakis sem comprometer a textura”, explica.
Uruchimai
No Japão, o tipo mais utilizado é o uruchimai, conhecido internacionalmente como arroz japonês para sushi. Após o cozimento, ele recebe uma mistura de vinagre de arroz, açúcar e sal, conhecida como sushi-zu, responsável pelo brilho, pela acidez equilibrada e pelo sabor característico do arroz servido nos restaurantes japoneses.
Agulhinha, parboilizado ou integral
Já nas variedades consumidas no dia a dia dos brasileiros, como os arrozes agulhinha, parboilizado ou integral, apresentam comportamento diferente durante o preparo. O arroz longo tende a ficar mais seco e solto, dificultando a modelagem das peças. O parboilizado mantém os grãos separados mesmo após o cozimento, enquanto o integral exige mais tempo de cocção e possui textura mais firme, características que alteram significativamente o resultado final.
“O erro mais comum é pensar apenas no sabor. No sushi, a textura é tão importante quanto. O arroz precisa sustentar o recheio, manter a forma da peça e, ao mesmo tempo, se desfazer delicadamente na boca. Se o grão escolhido não entrega esse comportamento, toda a experiência muda”, afirma o chef.
Lavagem
Outro cuidado está na etapa de lavagem. Antes do cozimento, o arroz japonês deve ser lavado diversas vezes até que a água fique quase transparente. O processo remove o excesso de amido superficial, evitando que os grãos fiquem excessivamente pegajosos, sem perder a liga necessária para o preparo.
Ingredientes antes de utensílios
Para quem deseja fazer sushi em casa, chef recomenda investir primeiro no ingrediente correto antes de buscar utensílios específicos.
“Muita gente compra esteiras de bambu, facas especiais e ingredientes sofisticados, mas utiliza um arroz inadequado. O resultado dificilmente será parecido com o de um restaurante. A escolha do grão é o primeiro passo para um bom sushi”, conclui.
Sobre o Sushi Garden: Fundado em 2019, em São Paulo, o Sushi Garden nasceu com a proposta de permitir que a culinária japonesa de alto padrão faça parte do menu do dia-a-dia do brasileiro. O cardápio é assinado pelo chef José Araújo, premiado duas vezes com estrela Michelin, e reúne preparos que combinam técnica, ingredientes frescos e rigorosos padrões de qualidade. Com operação estruturada e tecnologia aplicada às cozinhas, a marca busca oferecer uma experiência gastronômica consistente e prática para consumo em casa. Acesse o Instagram para saber mais.



